sábado, 7 de novembro de 2009

hélio oiticica

exposição no Instituto de Arte Contemporânea - Maria Antonia
dia 7 /11/09 até 28/02/10

texto de curadoria de Cauê Alves:
Os metaesquemas investigam relações entre cor, estrutura, linha e plano. Esses pequenos guaches sobre papel são da fase em que os aspectos visuais prevalecem no trabalho de Oiticica. Trata-se de uma pesquisa que dialoga com a de seus colegas concretistas, principalmente em relação ao estudo dos campos do desenho e da pintura. Eles são estruturas abertas que, como declarou Oiticica, o permitiram saltar para o espaço tridimensional e o levaram, por exemplo, aos Relevos Espaciais de 1959 e Bilaterais de 1960. Para Oiticica, com o fim da representação, a pintura havia chegado ao seu limite.
Os Relevos Espaciais seriam indícios não da morte da pintura, mas justamente da possibilidade de sua continuação para além do plano. Segundo Oiticica, alguns Metaesquemas já sugeririam sua posterior “incursão sensória”, embora não seja possível perceber diferenças de tal ordem entre esses guaches e as pesquisas de seus contemporâneos concretistas.
As virtualidades que surgem dos planos dobrados e distendidos dos Metaesquemas são realizadas plenamente no espaço tridimensional dos Relevos Espaciais. Entretanto, por mais coerente que o desenvolvimento do trabalho de Oiticica seja, e mesmo levando em conta que cada proposição sua possa já conter em germe a possibilidade de desdobrramento futuro, num encadeamento linear e incrivelmente sólido, afirmar que o Metaesquema é um prenúncio dos trabalhos que se seguiram tem validade apenas num olhar retrospectivo.
Seria possível afirmar que o Metaesquema prenuncia o abandono do plano em direção aos trabalhos sensoriais, algo que ocorrerá na obra de Oiticica nos anos de 1960, apenas se isso fosse uma finalidade, um objetivo que desde o princípio guiou seu trabalho. Foi esse o modo como o artista representou para si mesmo o seu desenvolvimento e o fluxo de construção de sua própria posteridade (da qual Oiticica mesmo se encarregou), que demonstra uma visão geral da coerência de sua trajetória e um alto grau de consciência e lucidez sobre ela. Contudo, é a disposição para experimentar e o risco da busca pelo novo que prevalecem durante odo o seu percurso. Cada invenção apresenta infinitas possibilidades de desenvolvimento posterior e não apenas uma.
A partir do momento em que a cor não está mais limitada por um retângulo, como nos Relevos Espaciais, ela tende a ganhar um corpo. e o que estrutura esse corpo é a própria qualidade da cor. Até os Metaesquemas a cor apenas insinuava movimentos. Mas quando essas estruturas espaciais penduradas investigam o espaço interior e virtual que se abre completamente para o exterior e para a experiência do público. Essa espécie de dobradura gigante, de onde brotam espaços vazios preenchidos pela cor das placas de madeira, são construções em que o espaço é dinâmico. O espaço torna-se ativo ao se abrir em fendas e daí surge uma relação intima entre tempo e cor, que não apenas se condensa na superfície, mas se propaga pelo espaço. Desde então o tempo se infiltra completamente no espaço.

domingo, 1 de novembro de 2009

peggy preheim


desenho de Peggy Preheim - peguei na internet

Descobri esta artista americana, nascida em 1963. Reside em New York. Seus desenhos são miniaturas em lapis sobre papel. Há obras suas no Moma e Whitney Museum. Ao ver estes desenhos me deu uma vontade enorme de voltar a desenhar.
O lápis, o papel, o preto no branco, o branco no preto virando forma, o cinza, a memória, as lembranças, é como fazer poemas com desenhos. Comprova que a arte é cheia de suportes. Ainda bem.

domingo, 25 de outubro de 2009

recortes íntimos

felinos negros
no canto estático
já se foi o tempo de tocar
e o tempo é curto para pintar

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

recortes íntimos

repousa aqui a leitura dos meus dias
tudo é velho e traz de novo algo novo

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

beco do grafite - vila madalena

Passo por aqui todas as manhãs cortando caminho, desviando do trânsito.
Este dia estava nublado e os desenhos mais vivos.
Olhavam-me como vigias do amanhecer. Eu era uma imagem estranha no meio dessas imagens tão bizarras, que gritavam e cantavam sons secos e atonais, como nos sonhos.


Tenebrosos pesadelos psicodélicos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

paço das artes - emoção, ironia e erotismo

sombras das pessoas projetadas na parede - na obra de Pipilotti Rist

Vale a pena dar um pulo no Paço das Artes. Bacana a exposição com as propostas dos artistas que não entraram na Temporada de Projetos de 2009, uma oportunidade de mostrarem suas idéias (estou com o meu projeto lá na estante).
E não deixar de ver as obras da artista suíça Pipilotti Rist com suas videoinstalações.

Já a instalação "a sala" , convida o visiante a lidar com proporções invertidas - me lembrei que fotografei algo parecido em Londres e que talvez seja de Pipilotti ou cópia de sua idéia.

Londres- setembro de 2008

Paço das Artes - cidade Universitária até 06/12

domingo, 4 de outubro de 2009

temporada de projeto na temporada de projetos



A exposição Temporada de Projetos na Temporada de Projetos acontecerá no Paço das Artes entre os dias 5 de Outubro e 6 de Dezembro de 2009


Chegou o grande dia, amanhã 05 de outubro às 19 horas estarei no Paço das Artes com a proposta do meu trabalho "ladrilhos urbanos".


O QUE É?

Denominada Temporada de Projetos na Temporada de Projetos, a presente proposta de curadoria foi elaborada especificamente para o "Edital Temporada de Projetos 2009" do Paço das Artes e consiste na exposição de projetos de artistas. Todos os artistas que enviaram projetos para o edital serão convidados a expô-los, independente do resultado da seleção.
Ao fazer uma dobra no conceito de exposição, a proposta estabelece uma rede de reflexões sobre processos artísticos e curatoriais e oferece um espaço de debate por meio de plataformas de apoio formadas por workshops e palestras.


Bacana esta idéia, nos coloca a par dos critérios da escolha e de nossas deficiências - uma transparencia justa.


A origem da necessidade de elaborar projetos, segundo Boris Groys, já havia sido detectada por Hegel, que a apontava como uma característica de todas as sociedades pós-revolucionárias pelo fato de que "prescrevem objetivos racionais, procedimentos e estratégias aos seus membros, e exigem deles explicações, justificativas e planos precisos". Groys conclui afirmando que "o sistema de arte atual funciona exatamente de acordo com estas regras".
A presente proposta se origina em uma prática artística dos autores que detectou profunda ressonância na afirmação de Groys, isto é, uma prática que funciona e se origina na criação de projetos e que exemplifica o cenário atual da produção artística no Brasil
. Assinalada essa origem, podemos até afirmar que esta proposta é uma curadoria de artistas. Isso não significa defender que o resultado será artístico em si, mas sim que decorre de uma proposta cuja relevância é constatada em — e impulsionada por — práticas artísticas anteriores.
Essas mesmas práticas levaram à compreensão de que o acesso a determinadas obras pode ser mais claro através de um projeto do que pela obra em si. Constatação que leva às questões: poderia um projeto ser apresentado em lugar da obra que ele pretende realizar? Nesse caso, poderíamos dizer que o projeto contém em si a obra?

Não cabe neste momento responder a essas perguntas, mas suponhamos que os projetos possam, no mínimo, conter uma parte das obras — mesmo que em alguns casos seja só uma etapa —, desse modo, apresentar todos esses projetos não seria uma maneira de apresentar todas as obras (ainda que partes de todas elas)? Além disso, essa apresentação não permitiria que o público tivesse acesso a um leque muito mais amplo e variado da produção, ou seja, um que inclui pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, fotografias, vídeos, performances, instalações, etc.? E ainda: expor toda essa variedade não seria também uma forma de aceitar um público com uma gama de interesses muito mais abrangente, isto é, dar resposta ao público que busca pinturas, ao que busca esculturas, ao que busca gravuras e assim por diante?
De qualquer forma, é indiscutível que a exposição dos projetos permitiria ao público abordar uma etapa da produção artística que costuma ser velada pela maneira na qual geralmente são apresentadas obras de arte; isto é, como um produto acabado, final e no qual raramente se evidenciam as etapas iniciais do processo que levam à sua constituição. Caso obras selecionadas para a "Temporada de Projetos 2009" estejam sendo exibidas no mesmo período que Temporada de Projetos na Temporada de Projetos, configura-se uma situação muito singular e relevante: seriam expostos tanto o projeto quanto a obra em si, abrindo assim uma chance única de vislumbrar um processo artístico e criativo de maneira inusitada.
Se por um lado Temporada de Projetos na Temporada de Projetos permite a todos um contato diferenciado com o processo artístico, desmistificando o ato criativo, por outro é muito importante considerar o fato do Paço das Artes estar localizado dentro da Cidade Universitária: um ambiente de ensino e pesquisa, ou seja, parte considerável do público em potencial da exposição está em formação.
Aos artistas e estudantes de artes, Temporada de Projetos na Temporada de Projetos coloca-se também como uma oportunidade formativa excepcional. Na qual, considerados os apontamentos de Groys, os artistas podem compreender melhor um momento importante de sua atividade, aperfeiçoar-se nela e contextualizá-la. Por exemplo, ao poder ler e comparar os vários projetos e suas variadas formas de projetar e ao permitir que compreendam as suas posições em relação a todos os outros projetos enviados ao edital — e não apenas àqueles selecionados. Não se podendo negligenciar que dessa compreensão podem inclusive surgir trocas entre artistas cuja produção se assemelha, à maneira que ocorre em exposições coletivas ou mesmo em simpósios com apresentação de trabalhos, em diferentes áreas do conhecimento.
A partir do ponto de vista dos artistas, cujos projetos não estiverem sendo expostos, pode-se encarar a exposição como uma chance de exibir uma obra que nunca viria a ser exposta; mas que, ao tomar essa forma de exposição gera a oportunidade de efetivar uma etapa do processo de criação e permitir algum tipo de retorno aos artistas.


Parabéns aos curadores LUIZA E ROBERTO