exposição no Instituto de Arte Contemporânea - Maria Antonia dia 7 /11/09 até 28/02/10
texto de curadoria de Cauê Alves:
Os metaesquemas investigam relações entre cor, estrutura, linha e plano. Esses pequenos guaches sobre papel são da fase em que os aspectos visuais prevalecem no trabalho de Oiticica. Trata-se de uma pesquisa que dialoga com a de seus colegas concretistas, principalmente em relação ao estudo dos campos do desenho e da pintura. Eles são estruturas abertas que, como declarou Oiticica, o permitiram saltar para o espaço tridimensional e o levaram, por exemplo, aos Relevos Espaciais de 1959 e Bilaterais de 1960. Para Oiticica, com o fim da representação, a pintura havia chegado ao seu limite.
Os Relevos Espaciais seriam indícios não da morte da pintura, mas justamente da possibilidade de sua continuação para além do plano. Segundo Oiticica, alguns Metaesquemas já sugeririam sua posterior “incursão sensória”, embora não seja possível perceber diferenças de tal ordem entre esses guaches e as pesquisas de seus contemporâneos concretistas.
As virtualidades que surgem dos planos dobrados e distendidos dos Metaesquemas são realizadas plenamente no espaço tridimensional dos Relevos Espaciais. Entretanto, por mais coerente que o desenvolvimento do trabalho de Oiticica seja, e mesmo levando em conta que cada proposição sua possa já conter em germe a possibilidade de desdobrramento futuro, num encadeamento linear e incrivelmente sólido, afirmar que o Metaesquema é um prenúncio dos trabalhos que se seguiram tem validade apenas num olhar retrospectivo.
Seria possível afirmar que o Metaesquema prenuncia o abandono do plano em direção aos trabalhos sensoriais, algo que ocorrerá na obra de Oiticica nos anos de 1960, apenas se isso fosse uma finalidade, um objetivo que desde o princípio guiou seu trabalho. Foi esse o modo como o artista representou para si mesmo o seu desenvolvimento e o fluxo de construção de sua própria posteridade (da qual Oiticica mesmo se encarregou), que demonstra uma visão geral da coerência de sua trajetória e um alto grau de consciência e lucidez sobre ela. Contudo, é a disposição para experimentar e o risco da busca pelo novo que prevalecem durante odo o seu percurso. Cada invenção apresenta infinitas possibilidades de desenvolvimento posterior e não apenas uma.
A partir do momento em que a cor não está mais limitada por um retângulo, como nos Relevos Espaciais, ela tende a ganhar um corpo. e o que estrutura esse corpo é a própria qualidade da cor. Até os Metaesquemas a cor apenas insinuava movimentos. Mas quando essas estruturas espaciais penduradas investigam o espaço interior e virtual que se abre completamente para o exterior e para a experiência do público. Essa espécie de dobradura gigante, de onde brotam espaços vazios preenchidos pela cor das placas de madeira, são construções em que o espaço é dinâmico. O espaço torna-se ativo ao se abrir em fendas e daí surge uma relação intima entre tempo e cor, que não apenas se condensa na superfície, mas se propaga pelo espaço. Desde então o tempo se infiltra completamente no espaço.
Os Relevos Espaciais seriam indícios não da morte da pintura, mas justamente da possibilidade de sua continuação para além do plano. Segundo Oiticica, alguns Metaesquemas já sugeririam sua posterior “incursão sensória”, embora não seja possível perceber diferenças de tal ordem entre esses guaches e as pesquisas de seus contemporâneos concretistas.
As virtualidades que surgem dos planos dobrados e distendidos dos Metaesquemas são realizadas plenamente no espaço tridimensional dos Relevos Espaciais. Entretanto, por mais coerente que o desenvolvimento do trabalho de Oiticica seja, e mesmo levando em conta que cada proposição sua possa já conter em germe a possibilidade de desdobrramento futuro, num encadeamento linear e incrivelmente sólido, afirmar que o Metaesquema é um prenúncio dos trabalhos que se seguiram tem validade apenas num olhar retrospectivo.
Seria possível afirmar que o Metaesquema prenuncia o abandono do plano em direção aos trabalhos sensoriais, algo que ocorrerá na obra de Oiticica nos anos de 1960, apenas se isso fosse uma finalidade, um objetivo que desde o princípio guiou seu trabalho. Foi esse o modo como o artista representou para si mesmo o seu desenvolvimento e o fluxo de construção de sua própria posteridade (da qual Oiticica mesmo se encarregou), que demonstra uma visão geral da coerência de sua trajetória e um alto grau de consciência e lucidez sobre ela. Contudo, é a disposição para experimentar e o risco da busca pelo novo que prevalecem durante odo o seu percurso. Cada invenção apresenta infinitas possibilidades de desenvolvimento posterior e não apenas uma.
A partir do momento em que a cor não está mais limitada por um retângulo, como nos Relevos Espaciais, ela tende a ganhar um corpo. e o que estrutura esse corpo é a própria qualidade da cor. Até os Metaesquemas a cor apenas insinuava movimentos. Mas quando essas estruturas espaciais penduradas investigam o espaço interior e virtual que se abre completamente para o exterior e para a experiência do público. Essa espécie de dobradura gigante, de onde brotam espaços vazios preenchidos pela cor das placas de madeira, são construções em que o espaço é dinâmico. O espaço torna-se ativo ao se abrir em fendas e daí surge uma relação intima entre tempo e cor, que não apenas se condensa na superfície, mas se propaga pelo espaço. Desde então o tempo se infiltra completamente no espaço.
